terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eternamente Incerto?

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Terça-feira, 4:20 da manhã. Novamente, à exemplo dos últimos dias, desperto enquanto ainda é noite lá fora e provavelmente devo ficar acordado até o amanhecer.

Sinto meus pensamentos me invadirem em ritmo galopante. Tento tomar frente para domar a situação e, quem sabe, conseguir resgatar o sono, mas o espírito aventureiro não me permite recusar mais um passeio pelos mares perigosos da mente.

Oras, e por que haveria de recusar? São magníficos esses momentos em que minhas convicções se entregam à amotinação! Algumas sempre tendem a desfazer-se para, em seguida, remontar-se graciosamente, assim como um desses quebra-cabeças com milhares de peças. Porém, este não vem com a imagem da caixa para me auxiliar a descobrir o desenho final.

Ontem mesmo pensei ter encaixado algumas peças e alcançado novas opiniões. De fato alcancei, eu diria. Mas por vezes elas me parecem tão efêmeras que eu precisaria de um certo esforço para conseguir sustentá-las por muito tempo - além do necessário - no mesmo lugar.

As que foram fruto de demasiada reflexão eu defendo com mais voracidade, confesso. Faço disso um desafio, pois preciso me sentir convecido de que está na hora de adotar novas mudanças. Contudo, me traz satisfação quando novas convicções são formadas. Me ajuda a olhar o passado para contemplar tudo o que consegui conquistar até aqui e perceber que realmente fiz bom usufruto do tempo.

Já nem me espanto mais com essas constantes mudanças, diga-se de passagem. Digo isso por saber bem que nada mais sou além do resultado da soma de todas as experiências que tive, desde que nasci até esse momento, mesmo que grande parte desse processo não tenha se tornado consciente. Portanto, é natural essa contínua reforma no meu conhecimento.

É como se o meu presente fosse sempre uma transformação gradual e progressiva do meu passado. Sou, hoje, uma evolução do que fui ontem. Perpetuamente um aprendiz, subindo degrau por degrau, dessa escada que só termina quando minha consciência já não tiver mais forças para caminhar.

Um veículo? O tempo. O combustível? As minhas ações, pois elas refletem em reações que, por sua vez, geram novas experiências para mim. Para cada nova experiência, seguida ou não por uma reflexão, determina-se um novo ajuste no meu conhecimento que, por conseguinte, me condiciona, me levando a readequar as minhas novas ações.

Ah, e a melhor parte: para que esse processo todo funcione, é necessário que a reação tenha sido captada por pelo menos um dos meus sentidos, mesmo que inconscientemente. Ou seja, toda a minha concepção de realidade dependeu, em algum momento, de pelo menos um dos meus sentidos, e essa idéia realmente me deixa muito intrigado.

Afinal, o que são os meus sentidos? Os meus olhos são mesmo apenas lentes que captam um punhado de fótons que em seguida transformam-se em cargas elétricas e passeiam pelo meu sistema nervoso? Assim como acontece com minhas mãos que estão, nesse momento, sentido o contato com partículas infinitamente divisíveis que estão simplesmente mais próximas umas das outras? E toda a complexidade desse som ao meu redor? Vibrações de duas membraninhas dentro da minha cabeça?

Sim! Ao menos por ora, as respostas encontradas pela ciência me servem de evidência para acreditar que toda a nossa concepção da realidade nada mais é além da interpretação das incontáveis cargas elétricas que já passearam pelo nosso cérebro e pelo sistema nervoso.

Nosso conhecimento, nossa percepção, nossos pensamentos, nossas opiniões, verdades ou crenças, e até mesmo nossas ações e as reações dos outros, tudo isso foi formado a partir de cargas elétricas interpretadas pelo cérebro, cujo o qual, ironicamente, só conseguimos imaginar com exatidão graças a nossa visão. Ou seja, seguindo essa premissa, o meu mundo não existe lá fora, mas sim dentro da minha mente.

Como fazer para sustentar a veracidade da ciência, sendo que ela mesma se supera de tempos em tempos? Oras, mas é justamente por esse motivo que ela tem seu mérito!

Aparentemente, as perguntas sempre serão tão infinitas quanto o universo é para a nossa espécie. Aliás, não só o universo! Pouco sabemos até mesmo sobre o funcionamento de uma singela colônia de bactérias entre os azulejos do banheiro. Ou, outro exemplo, quando se chega na menor partícula de todas para depois descobrir-se que ela também é divisível e que existem várias menores ainda. Ou então algo mais próximo da nossa perspectiva, como olhar ao redor mas não conseguir ter certeza de que todos aqueles objetos, pessoas, ou até mesmo a tela desse computador é real ou apenas uma ilusão da nossa imaginação.

Com tantas perguntas sem respostas, é natural que a melhor opção seja afirmar que a única certeza suprema é a da eterna incerteza.

Tá, mas e o mérito da ciência? O mérito da ciência reside justamente na sua corajosa e insaciável maneira de enfrentar todas essas incertezas do universo sem se conformar com sua insignificância e nem com suas limitações!

Ela é ousada e motiva-se da sua constante evolução. Seu propósito, ao meu ver, não é o de encontrar alguma maneira de se satisfazer com alguma resposta breve, absoluta e facilmente digerível. Pelo contrário! Ela diz: "Hoje, graças aos resultados obtidos até então, eu acredito nisso! Todavia, mais satisfeita estarei amanhã, se surgirem novas evidências que me façam acreditar naquilo!" - e depois disso, complementa: "Quebrem paradigmas, senhores! Não se rendam nem para a eterna incerteza e nem para as verdades absolutas!"

Assim como a ciência, eu não tenho medo de ter opiniões, crenças, constatações ou fé na existência de alguma coisa, mesmo que estas sejam tão transitórias quanto a vida parece ser. Porém, para que isto ocorra, é necessário que eu ainda não tenha conhecido evidências melhores que me levem a considerar outras hipóteses com mais atenção. Não obstante, acredito também que esse processo de cognição é inevitável e faz parte dos hábitos de qualquer ser humano mentalmente saudável, até mesmo como ferramenta para uma possível investigação, onde parte-se sempre de uma premissa inicial para depois analisar suas variáveis.

Descreditar uma idéia por não existirem verdades absolutas - uma afirmativa que se anula por natureza, se pensarmos bem -, ou pelo simples fato dela ter nascido de um ser humano cheio de limitações naturais da sua espécie, é inconstrutivo e, ao menos para mim, soa ou como um engodo, ou como hipocrisia, ou como pura ignorância, já que, se tomarmos tal pensamento como regra - tomando-a como princípio básico, e não apenas quando nos convém -, tornar-se-ia necessário que simplesmente não acreditassemos em coisa alguma, que fossemos desprendidos de sabedoria, de competência ou de um certo ganho intelectual com cada experiência.

Porém, é claro, tratam-se de constatações minhas e, em toda a sua complexidade, somente minhas, visto que foram as minhas experiências que me levaram a elas, e não as de outrém. Esperar dessas opiniões que sejam absolutas e inabaláveis, no mínimo, me privaria do prazer de deslumbrar-me com as inúmeras paisagens novas que pretendo presenciar durante este caminho com destino incerto.

Sendo assim, é provável que verdades absolutas não existam, realmente. Todavia, mesmo que o meu verde seja diferente do teu, eu ainda quero me sentir compreendido ao compartilhar com alguém sobre o quanto gosto da cor daquelas folhas, ou do formato curioso daqueles galhos, do ecoar imponente daquela cachoeira que fica logo atrás...

Talvez a solução esteja na forma como nos comunicamos, não sei. Mas isso fica para um outro dia, pois agora preciso me levantar, tomar banho, vestir uma roupa, ir trabalhar e me embreagar novamente nesta realidade - teoricamente lúcida - que costumam chamar de vida.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Derrubando Máscaras

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Primeiramente, não se trata do que é certo ou errado - ou do que é bom ou mau -, mas sim de mais uma constatação, mesmo que prematura, sobre uma característica humana.

Sinto-me à vontade, inclusive, para publicá-la aqui, pois não tenho a pretensão de solucionar os "problemas do mundo", e sim de fomentar reflexões que possam gerar autoconhecimento àlguém.

"Então isso significa que me interesso pela construção intelectual dos outros?" - Em um primeiro momento, pode-se dizer que sim. Ouvir sobre as frivolidades do dia-a-dia de todos nós é entediante e, convenhamos, não é muito construtivo. Sendo assim, tento fazer a minha parte para pautar assuntos que sejam de meu maior interesse de vez em quando.

"Ah! Tá! Quer dizer que é só por isso?" - Ok, eu confesso! Sei que esse é um motivo proveniente também da minha vaidade. Afinal, andei criando uma certa aversão à possibilidade de me tornar - ou transparecer que estou me tornando - mais uma dessas pessoas medíocres que sequer tentam compreender suas verdadeiras motivações.

É exatamente sobre essas motivações que senti vontade de escrever aqui. Essas que nossa consciência parece fazer questão de expulsar da nossa mente.

"Dizer que quase tudo o que me motiva é uma questão de vaidade? O que vão pensar? Com certeza não é o que eu quero que pensem de mim, né? Não seria estratégico da minha parte, digamos assim, permitir isso. Poderiam, talvez, não me confortar mais como antes, ou se afastarem, algo assim..

...é melhor não! É melhor eu sorrir quando me falam sobre o tempo instável de Curitiba, ou puxar papo pra não ficar aquele clima estranho no elevador, quem sabe fazer uma brincadeirinha pra mostrar que eu sou um cara bacana, ou até mesmo demonstrar interesse quando aquela mesma pessoa me conta sobre aquela mesma coisa pela milésima vez. Afinal, não machuca fazer isso tudo, né? Seria uma questão de educação, ou de companheirismo, ou de... de... egoísmo?"


Pois eu acredito que sim! De tudo o que ouvi até hoje, consegui concluir que todos nós somos tão individualistas que nem a nossa consciência costuma nos permitir essa "degradante característica".

É como um mecanismo de defesa que reage de imediato. Até mesmo agora, neste momento, enquanto você está lendo isso e tentando encontrar razões para não acreditar na possibilidade de ser um individualista, evitando assim as chances de deixar de receber em troca aquilo que, ao ouvido dos outros, você estaria se recusando a dar.

Isso porque, no final das contas, a pessoa que vai ouvir também é individualista e provavelmente vai pensar: "poxa vida, eu me dôo tanto para você sem pedir nada em troca, como você pode não querer retribuir? Se é assim, também não vou mais me doar, tá?!"

Ou seja, não existe essa doação, mas sim um empréstimo, com contrato de pagamento assinado e um prazo determinado para o acerto de contas.

Digo isso com segurança, e ainda convoco quem quiser para discutir sobre o assunto comigo - digo mais, adoraria ser persuadido do contrário. Acho ainda que esse hábito coexiste junto com quase todos os outros - e adoraria que também me contassem sobre alguma exceção para essa regra.

Isso se revela até mesmo em detalhes do nosso dia-a-dia, como quando nos incomodamos por um breve momento ao segurarmos a porta para alguém e não recebermos um agradecimento em seguida; ou quando decidimos não dar mais bom dia pra aquela pessoa que nunca nos responde...

Eu sei: é um assunto delicado. Principalmente porque, como eu disse, nossa consciência faz questão de expulsar esses pensamentos da nossa mente. Eles não fazem parte do padrão de comportamento ideal - que, por sinal, foi também construído por pessoas individualistas.

"Mas como assim? Diz isso assim? Sem mais nem menos?
" - Contextualizarei melhor, então. Tentarei resgatar aqui, mesmo que resumidamente, uma pequena fração do que me foi ensinado sobre a história da sociedade moderna:

Era meados do século IV a.C. (antes de quem?) quando Platão trouxe ao mundo a concepção de uma sociedade ideal. Entre tantas características desta "nova" perspectiva, deu-se luz à possibilidade da alma passar o resto da eternidade entre os deuses ou, dependendo das suas ações - enquanto habitante do mundo material -, reencarnar em outro corpo.

Antes desta nova frente filosófica, as mitologias não serviam para punir a sua alma ou propôr a ela uma viagem sem volta para o Sky Paradise Spa Resort após sua morte.

Elas vislumbravam, quase que de maneira despretenciosa, as várias características humanas que até então eram intangíveis ao nosso conhecimento se não por meio de metáforas ou outras formas de personificação, como um deus do amor, deus do ódio, deus da guerra, deus da natureza, deus do mar, etc - o que, sob a minha perspectiva, é muito mais compreensível.

Enquanto que, mais tarde - principalmente depois da popularização do cristianimo pelo império romano e pelas pessoas influentes e interesseiras que pintaram pelo caminho -, passou a existir a constante negação do presente em prol de uma eternidade mais confortante.

Pois bem, criou-se então a necessidade de uma imagem ideal para todos nós. Um ideal que, quando atingido, não seria repreendido nem durante a vida e nem depois da morte. Um padrão de comportamento para se desejar e se espelhar, que não só servisse de fundamento para punir - mesmo que com discretos comentários - os que têm costumes e pontos-de-vista diferentes, como também resgatasse a sensação de segurança resultante da convicção de se estar seguindo pelo "caminho correto".

Esse ideal é aquele que, hoje em dia, nos leva a "prosperar" na sociedade em que vivemos. Como aquela família bonita que aparece tomando um delicioso banquete de café-da-manhã na propaganda da margarina, sorridente, amorosa e repleta de clichês que representam com precisão o significado do termo "kitsch".

É aquele ideal que, teoricamente, todo mundo tem que querer pra poder ser feliz, satisfeito e habitante do confortável mundo de quem "definitivamente" não pode ser julgado como errado.

A partir daí é aquela "novela das oito" de sempre: temos que nascer, estudar, trabalhar cada vez mais, ocupar um cargo de prestígio, encher a poupança (do dono do Banco) de dinheiro, ser bonito e bem arrumado como nas revistas, comprar um jetski, se casar na igreja (com a mulher de branco), ter vários filhos e, depois de velho, se aposentar e morrer.

E o nosso caráter? - Ah, esse tem que ser de herói! Quase como o de um santo! Sem trair, sem cobiçar, sem mentir (cof, cof), sem isso e sem aquilo, mas com milhares de admiráveis qualidades, obviamente.

Só que o grande lance é que, por mais esforçados que sejamos, somos simplesmente incapazes de cumprir com todos os requisitos essenciais que nos permitam alcançar essa nossa quimérica e fantasiosa versão.

Torna-se necessário, então, usar e abusar de toda a privacidade que a nossa mente pode nos proporcionar para formularmos maneiras de escondermos nossos defeitos dos outros. Nossos impulsos, nossos pensamentos imorais, nosso lado mais obscuro, estratégico e maquiavélico, ficam todos camuflados por baixo dessa "máscara" que separa o "verdadeiro eu" do "o que eu quero ser para os outros".

Veja bem, não estou me colocando fora deste cenário, e menos ainda dizendo que sei a maneira perfeita de nos comportarmos. Mas, olha, acredito que seria um passo importante para a evolução da nossa espécie se no mínimo parassemos de fugir do que nós realmente somos!

Que aprendessemos a perceber e a trabalhar cada vez melhor com as nossas limitadas (ou infinitas?) qualidades, ao invés de continuarmos a nos atrair por essa forma insensível de encarar a vida, recheada de hipocrisia e de frustrações.

Por mais solidária que uma pessoa se esforce para se sentir, ela sempre estará, por uma questão de autopreservação, se colocando também como beneficiada, seja a curto, médio ou a longo prazo.

Se teu corpo gasta energias, gasta porque quer receber um benefício em troca, por mais que seja apenas uma pequena lustrada a mais na imagem que quer transmitir aos outros.

"Ai, quer dizer que não existe altruísmo? Que todo mundo pensa sempre só em si? Não! Impossível! Não pode existir beleza em um mundo assim!"

Engano seu, meu caro. Sabe aquela floreira que fica ali em cima do muro? Naquele ali, daquela casa por onde passo diariamente, repleta de flores chamadas de Dama-da-Noite? Então...

O cheiro característico se tornou muito mais contagiante depois que repararei que elas existem.

(continua)

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vigília

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A culpa deve ser deste maldito horário!
Ah, este que fica há poucos minutos daquele!
Já sinto até os calafrios que precedem a viagem...
Ela é rápida, quase imperceptível... mas a percebo!

Em poucos minutos entrarei naquele outro mundo.
Aquele que só eu conheço e que só eu consigo viver.
Só eu, porque ele se passa aqui dentro da minha cabeça.
Se corro, sinto ou falo com alguém, faço tudo aqui dentro.

De vez em quando me envolvo tanto... mas tanto...
que me confundo pensando estar no outro mundo.
Não me lembro daqueles rostos, daqueles lugares...
E dessas pessoas que reagem como se tivessem vida.

Tolo, não? Confundir-me com aquela desordenada e obscura ilusão?
Aqui é o lugar onde eu realmente consigo me sentir livre para viver!

Ah, mas quem me dera sempre perceber quando estou lá.
Por quê? Ah, eu com certeza aproveitaria muito mais!
Faria tudo o que desejo, sem me preocupar com o que
os outros iriam pensar.

De vez em quando fico com medo, é verdade!
Mas logo passa! Sempre passa! Tudo passa!
Assim como os minutos,
que rapidamente passam.

Chegou a hora de me levantar...
Preciso acordar para ir trabalhar.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Síndrome de Estocolmo

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Sim, eu sou mesmo um refém!
Um refém de mais ninguém além dela.
Sou um refém da minha alma.
De quem mais poderia ser?

Sei que hoje mesmo pensei estar livre.
Por um breve momento, me vi sorrindo, admirado,
dizendo alguma bobeira e achando graça.

Mas não! Em pouco tempo consegui encontrá-la
novamente logo atrás do meu pescoço, ofegante,
motivada pela sua sede de dominação.

Sou um refém! Um refém e não nego!
Te sinto em cada cor que eu enxergo, te sinto em cada sabor
que degusto, te sinto em cada som que tenho o prazer de ouvir.

Te sinto pulsar em minhas veias, te sinto retorcer a pele do
meu rosto e te sinto mover os músculos que levam meu corpo
para lugares que por muitas vezes não fazem sentido algum.

Mas que abuso!
Para onde você está me levando?
Por que eu te sinto e você não me escuta?
Fale comigo, pois custa-me só te obedecer!

Por vezes acredito conseguir abrir minha boca para gritar.
Mas é você quem controla a minha boca e só faz o que quer!
Eu grito, mas grito aqui dentro, sem mais ninguém para ouvir.

Sim! Eu sou refém e estou enclausurado aqui dentro.
Dentro desse amontoado de carne, de sangue e de pele.
Sei onde estou. Pois estou aqui, atrás dos meus olhos.
Atrás dos meus olhos mas não atrás da minha alma!

Ah, e também não sei se quero sair.
Afinal, socorrido por quem eu seria?
Por esse bando de outros reféns que eu tanto vejo por aí?

Não! Daqui eu consigo te conhecer cada vez melhor!
Ao menos daqui eu sei o que sinto e o que sou.
Eu sou um refém, mas ao menos sei que sou.

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